sábado, 28 de março de 2015

Os três mal-amados - Joaquim

Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto

Difícil ser funcionário

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.
Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.
É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.
Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.
Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança
Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

João Cabral de Melo Neto

domingo, 22 de março de 2015

O Último Inimigo

A pêra após a pêra entretanto amadurece
a uva após a uva após o figo o figo
E eu que canto? Canto talvez a lua vagabunda e os eclipses do sol
ou a rota do âmbar escalando os entrepostos do mar Báltico
talvez o fim (ou o princípio) dos homens e dos seres

Talvez eu espere simplesmente um amigo que de longe venha
ao peso de todos os anos que teriam
os mortos se houvessem morrido
Nenhuma outra idade lhe convém
e distraidamente eu o convoco
por cada criança que perdeu a inocência
E dir-me-à: "Esquece o teu nome a casa dos teus pais
pelo que não é teu terás um nome novo
Também Pilur
outrora recebeu o nome de Nilur"

Alguém - Febe, Cloé, Ápia, Lídia, Priscila... quem? -
se move repentinamente nas derramadas casas
aonde é mais real a sucessão das estações
e nem o filho pródigo nos vem já redimir
de tudo quanto tem uma cidade que se preza
se não nos esquecermos da carreta funerária
por cada voz extinta na garganta da cidade
O corpo é superior a vítimas e oblações
Não vem à flor do sonho o símbolo mulher
e há um ramo de oliveira e luz e campos entre dois ou vários rostos
e o fumo em que se esvaem tantos dias
e as crianças e as árvores e o mar
Como haveremos de salgar o sal?
Eu sempre fui estrangeiro nesta terra
eu não fiz mal a Deus por nada deste mundo
Só vi cair as árvores em julho
e conheci também a extrema solidão do vento
cravada como um escrúpulo na carne

A muitos anos-luz da infância inverosímil
enquanto nada acabou de todo ainda
nem no solo de Tróia cresce a sombra de uma lança
preparo cuidadosamente a minha morte
seguindo a linha norte-sul do litoral do medo
e acompanhando a progressiva imposição de línguas mais que indo-europeias
a noroeste das penínsulas do sonho
Volto-me para a morte e chamo como só Deus se chama
A morte é um vizinho que se ama

Não és ainda tu
Nunca nenhum de nós
É que não há ninguém
Deus é distante como o vento ou a vida
e no cúmulo da sede nenhuma fonte nasce
Naqueles que morreram confiávamos
mas não mais se erguerão no dia a dia desta terra
onde se colhe em cada rosto a flor imperecível do instante
Afunde então a melhor mão na mais profunda dor
entre as convulsas caravelas do teu pranto
e não mais saberás onde a haverás de pôr
Eu digo-te que é Jonas o único sinal
e Argos afinal a cidade onde devíamos voltar
levando em cada mão as tácteis flores de Santa Maria
para vivermos lá como dez anos antes
Não choraremos com as filhas de Jerusalém?

Permanecer sentados tantos dias sem nenhuma ideia
ou distraído olhar para a mosca de súbito importante
à frente um simples prato Moscavide e a manhã
sereno mundo líquido num copo
contrário desacordo com o corpo
e as árvores de pé como um insulto
ou na areia de qualquer perdida e pequenina praia ousar o gesto de imolar
às planas e quebradas mãos do mar a flor do que sabemos
e assim à líquida embaixada ensinar a soletrar
a orla do país que nesse instante fomos
talvez a ocidente do melhor que somos
- que as palavras remirão estes ou outros movimentos do olvido?

O inverno veio e não o recebemos
havia tanta coisa a receber
talvez nem fosse propriamente o inverno
mas tu, o grande distraído, que nos ouves
Quare ergo rubra vestimenta tua,
vindo de vestes rubras desde Bosra
na sempre repetida impiedade de Jacob?
Generationem eius quis narrabit?
A tua face, ó meu amigo, é alta como as coisas que se perdem
e demoramos nela os nossos melhores olhos
Aonde estás, Emmanuel, aonde?
Eu tive-te na boca e não te conhecia
e desejava ter aquilo que mais tinha
no próprio acto de o ter (e de o perder),
ó alegria inerente ao começo das coisas
Como desceste, ó desejado, das colinas eternas
para quebrares as pernas contra tantas portas fechadas sobre ti?
Que vieste fazer a Elsenor?
Perder-te nos passinhos insistentes miudinhos
usados nos caminhos das modernas praias
entre risos e lágrimas locais?
Ó grande distraído, que fizeste esta manhã?

Alguma coisa é a casa mais séria da vida
Não mais outras palavras que punhais
cravados como rios no flanco do mar
lá onde for mais íntimo o abraço
que gera o horizonte e sacrifica o espaço
Curae non ipsa in morte relinquimus
O homem é ainda o maior erro
e que melhor vingança que estender
a sua ausência toda sobre a terra devastada
O homem é um homem derrotado
um ser para chorar e nunca assaz chorado
um ser para cair excessivamente levantado
e Roma continua sobre as veias de Lucano

A morte é a verdade e a verdade é a morte
Ao homem não foi dado nenhum outro dia
e a vida é qualquer coisa como nunca mais chegar
É humano nascer
é humano tomar e apodrecer
oculta e lentamente
qualquer pedra última pedra
duobus duabus crianças diabos
pequeno almoço grande belt pequeno lord
o túnel Dante pace este relógio não anda
Coimbra onde é inumerável pedra
O homem Adão vindo do chão é um animal doente
ser permanentemente moribundo
coisa para esconder sob um pouco de terra
- em que lar faltará esta mulher? -
e vale a pena chorar

Ruy Belo
no livro O Problema da Habitação - Alguns Aspectos

sexta-feira, 20 de março de 2015

Colagem V - Sonho

Mesmo ao sonhar contigo,
só consigo que me ames noutro sonho
dentro do meu sonho primitivo...

João Guimarães Rosa

https://www.youtube.com/watch?v=WlatHB9jZ1g 
Nação Zumbi

Colagem IV - Dentro

De dentro de mim não saio nem pra pescar.

Manoel de Barros

Ainda que se mova o trem,
tu não te moves de ti.

Hilda Hilst

"No fundo, poderíamos ser como na superfície", pensou Oliveira, "mas teríamos que viver de outra maneira. E o que quer dizer viver de outra maneira? Talvez viver absurdamente para acabar com o absurdo, sair de si mesmo com tal violência que o salto acabasse nos braços de outro. Sim, talvez o amor, mas o otherness dura para nós o que dura uma mulher, e além disso só no que toca a essa mulher. No fundo, não há otherness, apenas o agradável togetherness. É certo que isso já é alguma coisa..." Amor, cerimônia ontologizante, doadora de ser. E por isso lhe ocorria agora aquilo que na verdade lhe deveria ter ocorrido logo no início: sem se possuir a si mesmo, jamais poderia possuir a outridade. E, afinal, quem é que se possuía de verdade? Quem é que tinha a perfeita consciência de si mesmo, da solidão absoluta que significa nem sequer contar com a própria companhia, que significa ter de entrar num cinema ou num bordel, ou em casa de amigos ou numa profissão absorvente ou no matrimônio para estar pelo menos só-entre-os-demais? Assim, paradoxalmente, o cúmulo da solidão conduzia ao cúmulo do gregarismo, à grande solidão das companhias alheias, ao homem só na sala de espelhos e dos ecos. Todavia, pessoas como ele e tantas outras, que se aceitavam a si mesmas (ou que se repeliam, mas conhecendo-se de perto), entravam sempre no pior paradoxo, estar talvez à beira da outridade e não poder alcançá-la. A verdadeira outridade feita de delicados contatos, de maravilhosos ajustes com o mundo, não podia ser cumprida por um só lado: a mão estendida deveria receber outra mão, vinda de fora, vinda do outro.

Julio Cortázar

https://www.youtube.com/watch?v=wihEPmqrIL4




Colagem III - O Quarto

Aqui meus crimes não seriam de amor.

Ana Cristina César

há naquela casa um quarto
e talvez ainda a cama
em que você morreu
trezentas vezes
raízes brotavam do teu corpo
e invadiam a tarde: nunca
o tempo foi tão fundo
na sombra de um vivente
o gozo o parto a morte
entre as mesmas margens:
dobras de um lençol em branco
que teu corpo descrevia
a tarde agora é outra: mora
outro tempo no teu tempo:
o que ficou de ti foi essa sombra
que fala entre outras mil paredes
Carlos Moreira

neste mesmo quarto
há muito tempo
você me ensinou
novamente a nudez
e então chamamos isso de amor
mas era exagero

Ana Martins Marques


sábado, 7 de março de 2015

Pequena compilação de informações sobre o corpo feminino

1. Uma vagina saudável tem PH ácido. Tem um cheirinho e gosto mais ácido. Vagina tem odor. Vagina sem odor não existe!

2. Todas as vulvas são diferentes. Vulva é a parte externa do orgão, onde ficam os grandes e pequenos lábios. A vulva de praticamente NENHUMA mulher, pra não dizer de nenhuma, tem lábios minúsculos perfeitamente simétricos. Lábios desenvolvidos são características de todas mulheres adultas, você não precisa ter vergonha dos seus.

3. Além de lábios vaginais desenvolvidos toda mulher adulta tem pelos. Pelos nas pernas, pelos nas axilas, pelos pubianos, pelos ou penugem nos mamilos, pelos ou penugem no rosto. Quem não tem pelos são crianças. Vou repetir porque tem muita gente que ainda fica espantado com isso: mulheres adultas tem pelos. Superem!

4. Pelos não são nojentos nem anti-higiênicos. Eles tem diversas funções como proteção física e proteção térmica. Se algo é anti-higiênico é a depilação. Na depilação (seja com cera ou gilete) você está agredindo a pele, causando micro lesões. Não é atoa que dói, não é atoa que fica inchado, vermelho e muitas vezes sangra. Quando você se depila você fica mais vulnerável a doenças e infecções, tanto por retirar o pelo que é uma proteção, quanto por machucar a pele e deixar ela mais sensível. Depilação também pode alterar a sua flora vaginal, que é composta por diversas bactérias que trabalham afim de manter a região sadia. Com a depilação também você corre o risco de alergias na pele e encravamento de pelos, que podem infeccionar.

5. É normal você ter um seio maior que o outro. Assim como existem vários tipos de vulvas existem vários tipos de seios.

6. Toda mulher tem secreção vaginal. Toda. Isso é normal. Sua calcinha molhar\manchar de secreção é normal. E de novo não tem nada de nojento ou anti-higienico nisso. A secreção saudável tem o cheirinho ácido típico da vagina e é transparente\esbranquiçado. De acordo com a transparência e liquidez do seu muco vaginal você pode inclusive ter uma noção se está fértil ou não.

7. Os fabricantes de calcinha não entendem a anatomia feminina. A calcinha tem uma parte de algodão que é um reforço (justamente porque temos estas secreções naturais). Acontece que pra maioria das mulheres esse reforço está no lugar errado e a secreção acaba manchando outras partes da calcinha, e é um saco.

8. Mulheres tem celulite. 99% das mulheres tem celulite. Celulite não é uma doença. Celulite não causa problemas pra saúde. Não existe nenhuma razão a não ser o encaixe no padrão estético pra querer se livrar dela e a chance de você conseguir fazer isso totalmente é muito pequena e você vai acabar gastando muito dinheiro tentando. O único problema é a celulite bacteriana que causa inchaço, dor e vermelhidão devido a uma infecção por uma bactéria ou fungo que entra por algum corte, picada ou abertura na pele.

9. Mulheres tem poros. Aquela pele de photoshop? Não existe. Poros também não são um problema de saúde e sim uma questão estética. Tampar os poros com maquiagem porém pode causar problemas.

10. Mulheres envelhecem. Envelhecimento também não é doença, é um processo natural pelo qual todos os seres vivos passam. Marcas de expressão facial também não são doenças e ocorrem porque bem, as mulheres se expressam (quer dizer, já li reportagem de uma mulher que nunca sorria pra evitar ficar com rosto marcado...). Mas não tem nada pra ser "tratado" ou evitado aí.

11. Você pode achar que o clitóris é pequeno, mas na verdade ele se extende pela parte interna, tendo em média 9 centímetros. Para saber mais sobre o clitóris: https://www.youtube.com/watch?v=Wmcu2mYZdRY

12. A vulva, assim como o pênis, aumenta de tamanho quando excitada, pelo aumento de fluxo sanguíneo.

13. A candidíase, doença genital que pode ocorrer nos homens e nas mulheres, não é necessariamente uma DST, sendo causada pelo aumento de quantidade de um fungo que temos naturalmente. Esse aumento pode ocorrer por vários motivos como por exemplo o uso de anti-bióticos por tempo prolongado e baixa imunidade.

14. Mulheres, assim como os homens, podem expelir uma grande quantidade de líquido durante o sexo. Não é xixi amiga e não tem nada de errado!

15. Os orifícios da vagina e da uretra (por onde sai o xixi) são diferentes. A uretra não deve ser penetrada.

16. Flatos (ou "puns") vaginais são normais. Podem ocorrer durante o sexo ou em intenso exercício físico, e é causado pela entrada de ar na vagina.

17. Sentir dor durante o sexo não é normal. Mulheres não são bonecas infláveis, não ficam confortáveis em todas as posições e não são obrigadas a sentir dor porque para o outro está sendo agradável. Se determinada posição é desconfortável pra você: Não faça! Se penetração ou determinados tipos de penetração forem desconfortáveis pra você: não faça! Sexo não é só penetração, diferente do que a maioria dos homens acha e nos tenta fazer achar também. Se estiver sentindo dor ou se sentindo desconfortável informe para a pessoa e peça para ela parar. Se a pessoa não parar ou reclamar por você ter manifestado que não tá legal se manda, sai correndo de perto, vaza e depois conta pras amigas pra avisar porque ninguém merece gente sádica, sem empatia e que não enxerga a outra como ser humano.

18. Faça xixi depois de transar! Isso ajuda a prevenir infecções urinárias.

19. A vagina tem músculos, você pode fortalece-los fazendo exercícios como Kegel e Pompoarismo, que também ajudam a prevenir infecções urinárias e nos ajudam a conhecer e ter maior controle sobre essa parte do nosso corpo.

20. Ter a primeira relação sexual é uma coisa, ter o hímen rompido é outra. Você não "perde a virgindade" usando O.B ou Coletor Menstrual.

21. Não lave por dentro, não use ducha vaginal. Nosso corpo é muito inteligente e uma das funções das secreções vaginais já é limpar e retirar células mortas, lavar externamente é suficiente e dessa maneira você não vai perturbar sua flora vaginal. Você também não precisa daquele sabonete de 17 reais específico pra genitália feminina. Já conversei com ginecologistas e não tem nada melhor que um sabonete de glicerina sem cheiro (quanto menos coisas tiver no sabonete tipo corantes e tal, melhor!). Não use absorventes ou papel higiênico com cheiros ou aromatizantes. E também já conversei com ginecologistas e essa história de "protetor íntimo diário" é uma porcaria, abafa sua pepeca e pode dar problemas, é cilada, não usa todo dia não mulher! E sempre dê preferência pras calcinhas de algodão.

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