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quarta-feira, 15 de abril de 2015

(A EPOPÉIA DO AMOR COMEÇA NA CAMA COM OS LENÇÓIS
        DESARRUMADOS FEITO UM CAMPO DE BATALHA)
   é ali que eu começo a nascer para a madrugada & suas
           vertigens onde você meu amor se enrosca em em
meu coração paranóico de veludo verde & as delícias de continentes
alaranjados dormem em seu rosto de pérolas turvas oh tambores do amor
            sem parar rumo às tempestades PLANETÁRIAS & suas
    cachoeiras tristes & pesadas como lágrimas
                gosto de gostar & a tv da alma amanhece bêbada & tenta
                                     dizer alguma coisa

Roberto Piva
no livro Abra os olhos & diga Ah!
(A POLÍTICA DO CORPO EM FOGO DO CORPO EM CHAMAS
  DO CORPO EM FOGO) APAGANDO A LUZ as trevas devoram
            teu corpo em chamas tua boca aberta teu suicídio
   de prazer na grama tuas mãos colhendo meu rosto
   de folhas machucadas na escuridão teu gemido à sombra
                das cuequinhas em flor
                          teus cabelos são solidamente negros

Roberto Piva
no livro Abra os olhos & diga Ah!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bilhete para o Bivar

hoje é o dia que os
             anjos descem nas
             catacumbas de cimento
sem o aviso das
             máquinas de empacotar
sem saltar sobre
             caramanchões de poluição
disseminando comportamento
             de Lacaio
é o momento do
             último homem
o que dura mais
             tempo
é o tempo do crime
             & sua prova
a caveira que ri
             na noite vermelha
a explosão demográfica
& a fome a galope
é o Sol mudo a
Lua paralítica
Drácula janta na
             Esquina
E para que ser poeta
             em tempos de penúria? Exclama
             Hölderlin adoidado
assassinos travestidos em folhagens
hordas de psicopatas
             atirados nas praças
enquanto os últimos
             poetas
perambulam na noite
             acolchoada

Roberto PivaR
Sou o poeta na cidade
Não da cidade
gosto das extensões azuladas das
            últimas montanhas
contemplar nas estradas de topázio
o anzol das constelações

Roberto Piva

todo poeta é marginal, desde que foi expulso da república de platão.

O JOGO GRATUITO DA POESIA

"Há campos para todos. Caminhos não marcados a ninguém..."

(Hölderlin)

O fazer poético passa pelo corpo e pela cama. "A poesia se faz na cama como o amor...", isto para começar a conversa. A palavra registrada em livro é a mera extensão (sublimada) do que sobrou da Orgia. Todos nós somos labaredas provocadas pelo curto-circuito do Desejo. O resto é balacobaco, isto é, literatura. Dante é pra ser relido numa sauna, rodeado de adolescentes. Não num escritório-abrigo-antiatômico. O vampirismo descobriu o desbunde, o marxismo e a linguagem caricata. Henri Michaux já deu o recado: Conhecimento através dos abismos. Inferno, Purgatório e Paraíso são uma coisa só. Mastigue cogumelos e Veja. Nenhuma regra: Ver com os olhos livres. Assim o curumim aprendeu o gosto de todos os espíritos. O assassinato também pode ser a ordem do dia. A blasfêmia e o roubo. Veja o episódio Vanni Fucci no Inferno de Dante. Gíria da pesada de malandro medieval. Mimetismo. Para uma estética da crueldade. Como diz Edoardo Sanguinetti, "O Surrealismo é o fantasma que, com toda a justiça, persegue as vanguardas e lhes nega um sono tranquilo". Com a costela do Kapitalismo foi criada a Panacéia Socialista. O Forró Nuclear é a medida da Riqueza das Nações. As soluções em Poesia são individuais e não coletivas. Eu estou com Gilberto Vasconcelos: depois que joguei a obra completa de Marx pela janela, comecei a compreender o Brasil. Fora isto o seguinte: Poesia é uma força de conhecimento que vê através de objetos opacos, como uma viagem de LSD e estados mediúnicos de levitação. Xamanismo, linguagem da Sibila de Cumas e cantos de caça de povos "primitivos", poesia é uma atividade lúdica em que está empenhada sua vida, sua morte, a felicidade e principalmente o jogo. O jogo gratuito de todas as coisas. Por acaso, eis a origem de todas as coisas, diz Nietzsche. Não devemos excluir autoritariamente, como censor barato, nem os que se dizem marginais e não são e nem os que pensam que são marginais e são escrituários. Os Hitlers e Castros da vida já fizeram isso com muito mais eficiência. A Poesia é a mais fascinante orgia ao alcance do homem. E como diz Hegel, "A Orgia báquica da história será vivida por cada um de seus membros".

Roberto Piva