neste rosto em que envelheço
o riso da infância arde e canta.
eis o poema e seu arremesso
mar bramindo nas grades da garganta.
tal o velho a enforcar a criança
o breu põe a ferros a manhã.
verso a verso a poesia não avança
açúcar gago na treva da maçã.
neste corpo em que envelheço
poesia murcha na prosa do verso.
eterno repetir-se nesse espesso
mar de luz, reverso perverso.
Afonso Henriques Neto
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